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Por ocasião da última assembléia dos bispos em Itaici, tive a grata oportunidade de encontrar mais uma vez com o Pe. Dalton Barros de Almeida, C. Ss. R.. Pedi-lhe licença para publicar – o que devo fazer em partes – um belo artigo escrito no Boletim Informativo “AKIKOLÁ”, ano 25, outubro 2007, nº8, páginas 7-9. Trata-se de um texto de espiritualidade. Quando tantos mascates do divino andam a oferecer um “deus” diminuto e, portanto facilmente manipulável, é bom refletir sobre o sentido, a espiritualidade que deve perpassar a autêntica Liturgia, um culto ao Deus Verdadeiro que vem ao nosso encontro – Ele é Emanuel, Deus conosco – convidando-nos a ser o que realmente somos, diante Dele, dos nossos irmãos e do mundo. Nossos sinceros agradecimentos ao Pe. Dalton. Parte I A vida que palpita nos símbolos da humildade Quando se derem conta de que a Liturgia nossa é matriz de mudanças e transformações, toda a gente católica andará iluminada. E percorrerá os caminhos da Espiritualidade. Terá captado o espírito da coisa. Aí, cessariam as bruxarias com os badulaques religiosos e cessaria esta correria aflita por bênçãos e concatenizações de “cadeias” de pedidos a não se interromper. Seria tão bom! Meu desejo a o tentar dizer o sentido dos gestos e símbolos da Liturgia é fazer ressoar a melodia esquecida, a canção dos redimidos. Cada gesto e cada símbolo são um modo desejante de mais ser. Ser adoradores do Pai em verdade. Li em alguma página de livro uma frase, mais ou menos assim: Quando me ponho a rezar, nada digo. Olho uma escultura do Cristo ressuscitado. Olho. Fecho os lhos. Me curvo. Uma, duas, sete vezes. E espero. Deixo que a vida de Jesus chova sobre a terra do meu ser. Como chuva que cai fecundando Bem que poderíamos dizer que na Liturgia é isso o que acontece: os mistérios da vida de Jesus e sua presença viva hoje chovem sobre o chão de nossa vida e sobre a carne de nosso ser. O cristão celebrante, pela mediação de gestos e símbolos, deixa o sereno de Deus molhar a aridez de suas securas e fecundar as sementes que precisam germinar. É quando se refaz a Esperança. E canta-se a glória da Trindade santa. Para que a vida Divina seja abundante em todos nós. Para passarmos dos invernos às primaveras do mais ser com. O tempo é o nosso anjo Há uma consciência de base para o cristão, recorda-nos o poeta T.S.Elliot: ao final de nossas longas andanças, chegaremos enfim ao lugar de onde partimos. Bela visão da escatologia que se soma à frase de Schiller: o anjo do ser humano é o tempo. O tempo é um mensageiro de Deus. O tempo litúrgico nos aponta, então, aquilo que para nossa vida realmente conta. Vem, Senhor Jesus. Maranatah! A vida é mesmo um caminhar para se chegar junto Àquele de onde viemos. Ele nos amou primeiro. A Liturgia celebra nossa caminhada a caminho com Ele, para que as surpresas não sejam demasiadas e O reconheçamos. E Ele nos abrace para a festa da vida, já agora, e para quando a festa não mais cessar.
Escrito por Dom Paulo Francisco Machado às 09h02
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